UNESP (julho) 2014 – Questão 10

Linguagens / Português / Período Composto – Conjunção e Elementos Coesivos / Conjunção
A questão focaliza uma passagem de um artigo de José Francisco Botelho e uma das ilustrações de Carlo Giovani a esse artigo.
 
Compaixão
 
Considerada a maior de todas as virtudes por religiões como o budismo e o hinduísmo, a compaixão é a capacidade humana de compartilhar (ou experimentar de forma parcial) os sentimentos alheios — principalmente o sofrimento. Mas a onipresença da miséria humana faz da compaixão uma virtude potencialmente paralisante. Afogados na enchente das dores alheias, podemos facilmente cair no desespero e na inação. Por isso, a piedade tem uma reputação conturbada na história do pensamento: se alguns a apontaram como o alicerce da ética e da moral, outros viram nela uma armadilha, um mero acréscimo de tristeza a um Universo já suficientemente amargo. Porém, vale lembrar que as virtudes, para funcionarem, devem se encaixar umas às outras: quando aliado à temperança, o sentimento de comiseração pelas dores do mundo pode ser um dos caminhos que nos afastam da cratera de Averno*. Dosando com prudência uma compaixão potencialmente infinita, é possível sentirmos de forma mais intensa a felicidade, a nossa e a dos outros — como alguém que se delicia com um gole de água fresca, lembrando-se do deserto que arde lá fora.
Isso tudo pode parecer estranho, mas o fato é que a denúncia da compaixão segue um raciocínio bastante rigoroso. O sofrimento — e todos concordam — é algo ruim. A compaixão multiplica o sofrimento do mundo, fazendo com que a dor de uma criatura seja sentida também por outra. E o que é pior: ao passar a infelicidade adiante, ela não corrige, nem remedia, nem alivia a dor original. Como essa infiltração universal da tristeza poderia ser uma virtude? No século 1a.C., Cícero escreveu: “Por que sentir piedade, se em vez disso podemos simplesmente ajudar os sofredores? Devemos ser justos e caridosos, mas sem sofrer o que os outros sofrem”.
 
* Os romanos consideravam a cratera vulcânica de Averno, situada perto de Nápoles, como entrada para o mundo inferior, o mundo dos mortos, governado por Plutão.


 
(Vida Simples, janeiro de 2014. Adaptado.)


 
Devido a um problema de revisão, aparece no artigo uma forma verbal em desacordo com a chamada norma-padrão. Trata-se do emprego equivocado de
a) corrige em vez de corrije.
b) remedia em vez de remedeia.
c) experimentar em vez de exprimentar.
d) alivia em vez de alívia.
e) encaixar em vez de incaixar.

Veja outras questões semelhantes:

UNESP (julho) 2014 – Questão 40
Durante o período da presidência de Rodrigues Alves (1902-1906), o Rio de Janeiro passou por um amplo processo de reurbanização. Um dos objetivos desse processo foi ...
ENEM - 2ºAplicação - Linguagens e Humanas 2025 – Questão 3
GLASBERGEN. Disponível em: www.glasbergen.com. Acesso em: 2 out. 2015 (adaptado). Esse cartum, que ilustra uma situação escolar, busca a) revelar a imaturidade emocional dos estudantes. b) criticar o imediatismo da sociedade contemporânea. c) apontar a hierarquização das relações educacionais. d) denunciar o sucateamento dos recursos tecnológicos. e) evidenciar a desatualização dos métodos pedagógicos.
ACAFE 2023 – Questão 9
Com base no texto 4, assinale a alternativa CORRETA. ...
UNESP (julho) 2012 – Questão 7
Assinale a alternativa que indica a ordem em que os versos de dez e de seis sílabas se sucedem nas oito estrofes do poema. a) 6, 10, 6, 6, 10, 10. b) 10, 6, 10, 10, 6, 6. c) 10, 10, 6, 10, 6, 6. d) 10, 6, 10, 6, 10, 6. e) 6, 10, 6, 10, 6, 6
UNESP (julho) 2005 – Questão 81
A frase – "... it was a question for which Jesus’ disciples had no ready answer" – permanece com o mesmo significado em a) it was a question whose answer Jesus’ disciples did not have. b) it was a question that Jesus’ disciples had no ready answer. c) it was a question that Jesus’ disciples answered. d) it was a question whom Jesus’ disciples had no answer. e) it was a question for that Jesus’ disciples had no ready answer.