UNESP (julho) 2011 – Questão 58

Ciências Humanas / História / Culturas: Aspectos Gerais / Análise comparativa - Culturas
Em 40 anos, nunca vi alguém se curar com a força do pensamento. Para mim, se Maomé não for à montanha, a montanha vir a Maomé é tão improvável quanto o Everest aparecer na janela da minha casa. A fé nas propriedades curativas da assim chamada energia mental tem raízes seculares. Quantos católicos foram canonizados porque lhes foi atribuído o poder espiritual de curar cegueiras, paraplegias, hanseníase e até esterilidade feminina? Quantos pastores evangélicos convencem milhões de fiéis a pagar-lhes os dízimos ao realizar façanhas semelhantes diante das câmeras de TV? Por que a energia emanada do pensamento positivo serve apenas para curar doenças, jamais para fazer um carro andar dez metros ou um avião levantar voo sem combustível? No passado, a hanseníase foi considerada apanágio dos ímpios; a tuberculose, consequência da vida desregrada; a AIDS, maldição divina para castigar os promíscuos. Coube à ciência demonstrar que duas bactérias e um vírus indiferentes às virtudes dos hospedeiros eram os agentes etiológicos dessas enfermidades. Acreditar na força milagrosa do pensamento pode servir ao sonho humano de dominar a morte. Mas, atribuir a ela tal poder é um desrespeito aos doentes graves e à memória dos que já se foram.
(Drauzio Varella. Folha de S.Paulo, 09.06.2007. Adaptado.)

O pensamento do autor, sob o ponto de vista filosófico, pode ser corretamente caracterizado como
a) compatível com os pressupostos mecanicistas e cartesianos da ciência.
b) uma visão para a qual a fé na força milagrosa do pensamento apresenta a propriedade de curar doenças.
c) uma visão holística, de acordo com a qual a  mobilização das energias mentais pode influenciar positivamente organismos enfermos e possibilitar a restituição da saúde.
d) uma visão cética no que se refere ao progresso da ciência.
e) compatível com concepções teológicas emitidas por líderes religiosos católicos e evangélicos.

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